Apoio ao(à) professor(a): o que ele(a) quer em cada etapa de sua carreira?

Como a gestão pode dar apoio ao professor e à professora em cada estágio de sua vida profissional? Saiba o que querem docentes iniciantes, intermediários(as) e veteranos(as).

A ideia de personalizar a educação se aplica de várias maneiras. Queremos conhecer e entender nossos alunos e nossas alunas como indivíduos, assim como personalizar sua instrução de acordo com as nuances da aprendizagem de cada um. Paralelamente, personalizar  a trajetória do professor e da professora faz sentido porque, afinal, educadores(as) também são indivíduos e, tanto quanto os(as) estudantes, possuem talentos e necessidades únicas.

Entretanto, descobrir do que os educadores e as educadoras precisam em cada estágio de suas carreiras pode ser uma tarefa árdua. Seus desejos mudam quanto mais tempo passam na área da educação. Como dar apoio ao professor e à professora em cada etapa de sua vida profissional?

Apoio à professora e ao professor iniciante

Docentes iniciantes são aqueles que possuem três ou menos anos de experiência em sala de aula. Eles e elas querem mentoria e orientação. Muitos(as) necessitam de suporte no que concerne ao planejamento de aulas e de recursos, gestão da sala de aula, organização do tempo.

Além disso, professoras e professores iniciantes costumam ser corajosos(as) e dedicados(as), prontos para mergulhar no trabalho – por isso, saber que seus colegas mais experientes confiam neles, dentro e fora de sala de aula, é de extrema importância. Ao mesmo tempo, parte do apoio ao(à) docente iniciante é fazê-lo(a) sentir-se incluído pela equipe; o que significa nutrir a simpatia e a colaboração entre colegas, assim como ter pessoas dispostas a responder perguntas quando necessário.

Estes são 3 passos para dar apoio ao professor iniciante:

Crie um processo formal de integração em sua escola

Encontre um local acessível para colocar todas as informações logísticas – isso pode ser tão simples quanto uma planilha ou pasta online, em que serão guardados dados, manuais de “como fazer” e “passo a passo” para cada situação. Inclua templates de formulários e documentos, mapas, agendas e calendários, etc.

Permita que os professores e as professoras iniciantes assistam às aulas de colegas mais experientes e reserve alguns momentos de formação para que eles discutam esses encontros. Isso serve como apoio ao(à) docente iniciante para criar suas próprias aulas, ter novas ideias e refletir sobre o tipo de profissional que deseja se tornar.

A gestão escolar deve acompanhar de perto esses educadores e educadoras. Criar oportunidades para que eles e elas continuem aprendendo, refletindo sobre a prática pedagógica e observando seu desenvolvimento aumenta a satisfação profissional e a retenção de professores.

Escolha professores(as) mentores(as) com sabedoria

Busque conhecer as personalidades, forças e desafios de seus professores(as) veteranos(as) para, então, agrupá-los com docentes iniciantes – seus mentorados(as). Será sábio combinar profissionais da mesma disciplina, ou isso não fará diferença? Quanto tempo mentores(as) e mentorados(as) devem passar juntos? Os professores e as professoras experientes estão dispostos(as) a se comprometer com a formação dos(as) novos(as) colegas? Além do perfil individual, considere os recursos da escola antes de traçar os objetivos desejados.

Não se esqueça de reservar esse tempo para as formações e mentorias. É comum que professores(as) fiquem tão envolvidos com suas responsabilidades diárias que acaba sendo difícil parar para refletir. Portanto, reserve tempo da agenda para esses encontros, práticas colaborativas e nutrição de relacionamento entre colegas.

Leia também: A importância do feedback na formação de professores

Continue o acompanhamento após o primeiro ano

Um grande desafio para docentes iniciantes é a interrupção brusca de seu acompanhamento após o primeiro ano de trabalho. Muitos(as) deixam de receber mentoria e suporte, mesmo enquanto ainda sentem ser necessário.

Um professor admitiu “Só porque eu estou ensinando há dois anos, não significa que eu não precise mais do mesmo nível de orientação que recebia em meu primeiro ano. Eu ainda tenho dificuldade em diversas áreas e sinto que preciso de um mentor”.

Apoio ao professor intermediário

Esses são os professores e as professoras que já passaram entre 4 e 10 anos em sala de aula. Eles e elas esperam apoio e colaboração, mas em uma intensidade diferente daquela recebida pelo(as) docente iniciante: professores(as) intermediários(as) estão confortáveis em suas carreiras e, por isso, sentem que podem experimentar, explorar novos caminhos, se arriscar. Ao mesmo tempo, querem receber feedback de seus colegas ao longo desse processo.

Nutrir o relacionamento entre colegas, embora ainda importante, também adquire uma nova perspectiva. Não somente esses professores precisam manter as relações que já estabeleceram com os colegas, como também passam a conhecer seus gestores em uma esfera mais pessoal. Como atingir suas expectativas:

Use dados e protocolos nos encontros

Protocolos aumentam o foco e a produtividade dos encontros entre professores(as) e gestores(as). Seguir uma estrutura bem definida (por exemplo, “observações de sala de aula“, “falas dos alunos”, “resultados”) não apenas facilita o compartilhamento de práticas pedagógicas como permite que o professor ou a professora receba feedbacks mais apurados, que considerem desde suas aulas antigas até as atuais.

Olhar para a evolução dos(as) alunos(as) através de trabalhos, projetos e avaliações, assim como trabalhar com base em dados concretos, mantém os educadores e as educadoras a par de todo o processo de aprendizagem e garante decisões pedagógicas mais informadas.

Conheça: Como o SESI/SC obteve mais visibilidade do desenvolvimento de estudantes com os relatórios do Geekie One

Conheça os(as) professores(as) pessoalmente 

Uma gestora que conheci costumava convidar 3 ou 4 professores(as) para uma reunião mensal de 45 minutos. Ela criou uma oportunidade para conhecer sua equipe como indivíduos. Era o espaço para conversarem sobre suas vida pessoais, família, passatempos – basicamente, qualquer coisa exceto trabalho. Sua atitude passava uma mensagem: a de que conhecê-los(as) era uma prioridade para a gestão.

Se, em sua escola, não houver tempo suficiente disponível para se encontrar com cada professor(a) individualmente, planeje uma socialização mensal com todo o grupo, para que os professores e as professoras possam relaxar, dividir histórias e aproveitar um lanchinho.

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Apoio ao(à) professor(a) veterano

Professores(as) veteranos(as) já estão há mais de 10 anos em sala de aula. Eles(as) querem autonomia para moldar a aprendizagem de seus alunos e suas alunas, enquanto sentem que a gestão confia em suas habilidades de ensinar com qualidade sem perder de vista outras responsabilidades da função. Ao mesmo tempo, muitos(as) professores(as) veteranos(as) almejam assumir a liderança – não necessariamente na área administrativa, mas, ainda assim, formas de ter protagonismo e contribuir dentro da escola.

O apoio ao(à) professor(a) veterano(a) inclui mais personalização, que vai desde a forma como eles e elas são tratados pelos(as) gestores(as) – afinal, já são bem conhecidos(as) entre os(as) colegas – até oportunidades de formação e desenvolvimento profissional. Eles e elas querem ver que a gestão compreende e dá suporte a todas as tarefas que estão assumindo, dentro e fora de sala de aula.

Como dar apoio ao(à) professor(a) veterano(a):

Pergunte ao(à) professor(a) o que ele(a) quer

Parece óbvio, mas o simples ato de perguntar ao professor ou à professora que tipo de oportunidade ele ou ela procura pode ser um grande passo. Acompanhe seu desenvolvimento explorando, em conjunto, como essas oportunidades podem ser alcançadas.

Tenha em mente, ainda, que professores(as) veteranos(as) podem ajudar com suas habilidades de liderança, orientando times de professores(as) dentro da escola ou participando de entrevistas e reuniões com a comunidade escolar.

Ajude-os(as) a personalizar a aprendizagem dos alunos e das alunas

apoio ao professor e à professora enquanto ele ou ela busca formas de personalizar a aprendizagem em sua sala de aula e explora metodologias. Discuta como sua jornada individual pode servir de exemplo para outros(as) educadores(as) da equipe – por exemplo, oferecendo sessões de debate, workshops ou aulas para compartilhar seus conhecimentos, competências e práticas com os colegas.

Conhecer e atender às necessidades personalizadas dos(as) professores(as) pode, sim, consumir tempo da gestão, mas é um investimento que vale à pena. Quando professores e professoras se sentem valorizados(as) e ouvidos(as), ensinam melhor e têm mais chances de permanecer na escola!

Leia mais: Gestão escolar: o desafio de ser um bom líder

O texto “Apoio ao professor: o que ele quer em cada etapa de sua carreira?” é uma tradução do artigo “Personalizing for teacher needs“, do portal Edutopia e foi publicado originalmente no InfoGeekie em 23 de agosto de 2016; atualizado em 5 de outubro de 2020. Clique no link para acessar o original.

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