BNCC do Ensino Médio: Quais são as principais mudanças trazidas pela reforma?

Mestre em Educação pela Stanford University e cofundador da Geekie, Claudio Sassaki analisa quais são as principais dúvidas de escolas e famílias sobre as reais mudanças e as motivações da BNCC do Ensino Médio. Confira também um e-book exclusivo sobre o tema para ajudar sua escola na adaptação.

As escolas de educação básica do Brasil, públicas e privadas, estão vivendo um processo de adaptação à Reforma do Ensino Médio, aprovada em 2017 e que se desdobrou na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – homologada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 2018 –, e na definição dos itinerários formativos.

Neste artigo, você irá conferir as principais mudanças do segmento e a percepção do mestre em Educação pela Universidade de Stanford e cofundador da Geekie, Claudio Sassaki, sobre os questionamentos de famílias a respeito de toda a alteração feita no segmento.

E-book Novo Ensino Médio: As principais mudanças e dúvidas sobre a reestruturação do segmento

A Geekie preparou um e-book especial sobre o tema para ajudar sua escola na transição para o Novo Ensino Médio. Ao baixar gratuitamente o material, você também terá acesso a uma trilha formativa composta por:

  • Infográfico Ensino Médio no Brasil com os principais dados do segmento;
  • Bate-papo sobre a reforma com a diretora pedagógica da Geekie, Camila Karino;
  • Proposta Novo Ensino Médio Geekie One com a proposta para a reformulação do Ensino Médio de sua escola.

Baixe o e-book clicando no banner abaixo:

e-book-Novo-Ensino-Médio

Por que a mudança no Ensino Médio é necessária?

Até o início do ano letivo de 2022, a reformulação deve estar implementada em todo o país. Embora alguns educadores e educadoras estejam familiarizados(as) e preparados(as) para atuar dentro desse novo contexto pedagógico, outros(as), além de pais e responsáveis, reportam dúvidas sobre o que muda e quais os reais benefícios dessa transformação educacional.

Claudio Sassaki, mestre em Educação pela Universidade de Stanford e cofundador da Geekie, tem conversado com famílias para esclarecer os principais pontos.  

Segundo Sassaki, a motivação do grande debate que se estabeleceu para a Reforma do Ensino Médio tem base em análises do desempenho dos estudantes, conduzidas por organizações como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

Os resultados – no Brasil, 43% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico de proficiência em três áreas avaliadas, sendo 55% em Ciências, 68% em Matemática e 50% em Leitura – reforçam a necessidade de questionar o ensino e criar novos arranjos para gerar experiências de aprendizagem capazes de elevar esses resultados de aprendizado.

Novo ensino Médio - dados pisa 2018 nível de proficiência
Fonte: Resultados Pisa 2018; dados retirados do infográfico “Ensino Médio no Brasil”, disponível gratuitamente na trilha de conteúdos do e-book Novo Ensino Médio da Geekie

“Esses números mostram que 50% dos nossos jovens não conseguem identificar a ideia principal em um texto de extensão moderada; mais da metade não consegue interpretar e reconhecer a explicação correta de fenômenos científicos familiares. Então, a nossa forma de ensinar não está endereçando os desafios da aprendizagem. Essa reflexão explica a necessidade de repensar e remodelar a educação no Brasil”, detalha.

Em uma perspectiva complementar, Sassaki aponta que há um quadro grave de evasão escolar no Brasil. “O desafio tem sido superar a barreira da falta de interesse e de engajamento dos estudantes, tornando a escola mais significativa do ponto de vista do aluno. A elaboração de itinerários formativos que unam as demandas do mercado e da vida aos interesses dos estudantes tem como uma das justificativas da troca de um currículo engessado por novas possibilidades de estudo”, afirma.

De acordo com o especialista, se antes o aluno ou a aluna percorria três séries do Ensino Médio com um currículo fechado e sem opções, com a reforma, esse(a) estudante tem a possibilidade de criar diversos ambientes de aprendizagem, ou seja, ele pode escolher algumas disciplinas. “É importante que pais, mães e responsáveis saibam que o Novo Ensino Médio é o primeiro passo para transformar o processo de ensino e aprendizado; ela tem o potencial, real, de tornar a escola – na percepção do aluno e da aluna – mais significativa”, reflete.

As 3 principais alterações da BNCC do Ensino Médio

Na percepção de Claudio Sassaki – e com a visão de pai de quatro crianças em idade escolar – há três alterações que considera como as principais mudanças na Reforma do Ensino Médio; todas elas estão atreladas ao objetivo de trazer mais protagonismo aos(às) jovens, garantindo o exercício dos direitos de aprendizagem.

A primeira é a ampliação da carga horária de 2.400 para 3.000 horas até o início do ano letivo de 2022; a segunda, a elaboração dos currículos com conteúdos norteados pela Base Nacional Comum Curricular; e, por último, os estudantes podem selecionar caminhos de formação distintos, conhecidos como itinerários formativos, optando pelos que estão mais em sintonia com os projetos de vida deles.

1. A mudança na carga horária do Novo Ensino Médio

A principal mudança no Novo Ensino Médio para as escolas é a necessidade de ampliar a carga horária deste segmento: das atuais 2.400 horas para 3.000 horas até 2022 – com possibilidade de ampliação para contemplar o tempo integral. O aumento é justificado: essa ampliação se deve à inclusão dos itinerários formativos, que ocuparão no mínimo 1.200 horas dos estudantes ao longo das três séries, com possibilidades distintas de distribuição dessa carga em horas anuais.

Essa carga deve ser preenchida por experiências de aprendizagem que conversem com um ou mais dos quatro eixos estruturantes. As disciplinas das áreas de conhecimento continuam pautadas pelas diretrizes da BNCC, mas em 1.800 horas.

Exemplos de distribuição da carga horária no Novo Ensino Médio com a proposta Geekie One em destaque.

2. Conteúdos norteados pela BNCC

“Quando falamos do alinhamento dos currículos à BNCC, o cerne da questão é que eles darão as diretrizes para repensar o aprendizado. Há muito tempo acompanhamos o desinteresse dos(as) jovens pela escola; as taxas de evasão escolar são a prova viva dessa desconexão”, explica Sassaki.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,  Pnad Contínua e avaliação de Todos pela Educação, no período de 2012 a 2019, um em cada três estudantes de 19 anos – idade considerada ideal para a conclusão dessa etapa de ensino –, não concluiu o Ensino Médio. Com a pandemia há uma preocupação muito grande que esse processo de abandono da sala de aula se acentue. Neste sentido, a revisão dos processos de ensino e aprendizagem para adequá-los à BNCC é um caminho para transformar a percepção que os(as) jovens têm da escola.

3. Itinerários formativos e as opções de escolha

Já os itinerários formativos são um conjunto de unidades curriculares que possibilitam que o(a) estudante aprofunde os conhecimentos e se prepare para dar prosseguimento aos estudos ou para atuar no mundo do trabalho, de forma a contribuir com a construção de soluções para problemas específicos da sociedade.

Os itinerários podem ser organizados de forma integrada ou por área de conhecimento:

  • Linguagens;
  • Matemática;
  • Ciências Naturais;
  • Ciências Humanas.

Também é possível que os itinerários sejam constituídos pela formação técnica e profissional, mas adequados a um dos quatro eixos estruturantes estabelecidos:

  • Mediação e Intervenção Sociocultural;
  • Investigação Científica;
  • Empreendedorismo;
  • Processos criativos.

O cofundador da Geekie complementa: “Nesse sentido, a Reforma do Ensino Médio – que oferece ao aluno e à aluna a possibilidade de escolher disciplinas em sintonia como o plano de vida desse(a) estudante – pode transformar essa relação com a escola; acredito que aumentará a percepção de valor e sentido no aprender”.

Para famílias preocupadas com o novo modelo do Ensino Médio

Como mensagem aos pais e responsáveis que estão preocupados com o impacto da pandemia no cronograma de implementação do Novo Ensino Médio, Claudio Sassaki salienta que este é um processo benéfico para o futuro dessa geração.

“Os alunos e as alunas que estão na escola, hoje, têm necessidades e perspectivas de vida muito diferentes das registradas nas gerações anteriores. O modelo do Novo Ensino Médio, no entanto, há muito tempo não era adaptado à luz das mudanças geracionais; agora houve um redesenho para fazer frente a dados tão preocupantes quanto à conclusão da educação básica e a qualidade da aprendizagem ofertada neste segmento”, afirma o especialista. 

O mestre em educação salienta, também, a importância de incluir as famílias neste processo de adaptação do Novo Ensino Médio:

“Os pais, as mães ou responsáveis precisam ser corresponsáveis pela aprendizagem dos(as) estudantes. Essa fase é um momento de muitas definições para a vida futura do(a) adolescente. Portanto, a partir de 2022, com o novo formato do segmento, esses jovens poderão ter perspectivas mais concretas, experimentar as áreas de conhecimento pelas quais se sentem atraídos antes de decidir definitivamente qual curso superior irão fazer. Já os pais devem acompanhar essas escolhas e definições do projeto de vida de seus filhos para apoiá-los e dar o suporte necessário para que o futuro de cada estudante seja pautado pelas possibilidades e nos sonhos reais e concretas formadas durante essa trajetória do final da educação básica”, finaliza.


Confira também outros materiais gratuitos da Geekie:

Compartilhe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no pinterest
Bitnami