Circuito Geekie começa com formação sobre práticas ativas e intencionalidade pedagógica

Série de sete encontros, direcionados a educadores e gestores, seguem até 17 de junho com formações pedagógicas e palestras; o primeiro, em 25 de março, focou em rotinas de pensamento que possibilitam a aprendizagem ativa. Confira como foi a formação.

Para preparar educadores(as), coordenadores(as) e gestores(as) para atuarem nesta nova era da educação, que demanda abordagens mais ativas, personalizadas, visíveis e conectadas, a Geekie está oferecendo uma série de palestras e formações, online e gratuitas, por meio do Circuito Geekie. São sete encontros, quinzenalmente, sempre às quintas-feiras, às 15 horas. O primeiro, que aconteceu em 25 de março, foi a formação “Práticas ativas e intencionalidade pedagógica nas aulas presenciais e remotas”, com Glaucileide Oliveira, designer pedagógica da Geekie.

Com dinâmicas e atividades práticas para os(as) educadores(as), que interagiram por meio do chat do YouTube, entremeadas por explicações e exemplos de sua experiência com a aprendizagem ativa, a especialista trabalhou os conceitos de “metodologias ativas”, “práticas ativas” e, principalmente, “rotinas de pensamento”. A condução foi feita de modo “metaformativo”, ou seja, em que os professores e as professoras aprendiam enquanto participavam da formação. 

Ela explicou que a aprendizagem ativa está relacionada à aquisição de novos saberes que possibilitam a quem aprende construir ideias, oportunidades, relações éticas e ações que o transformam e lhe permitem modificar a sociedade em que vive. “É aquela aprendizagem que provoca a reflexão e estimula o processo cognitivo. Ela envolve troca de informações, compartilhamento de ideias e a valorização das opiniões e conhecimentos prévios dos alunos”.

Outra característica importante da aprendizagem ativa, segundo ela, é a necessidade de pelo menos alguns pontos da jornada de conhecimento dos alunos serem tangíveis para o(a) docente de alguma forma, até mesmo para que ele(a) possa planejar ações futuras com base nesses conhecimentos adquiridos. “Mas essas evidências de aprendizagem não precisam, necessariamente, de registro físico ou digital. Essa visibilidade pode acontecer no diálogo, na troca com os colegas, e também em momentos em que o professor ou a professora pede para os(as) alunos(as) falarem sobre o que aprenderam ou justificarem uma ideia”. 

Metodologias, pensamentos e práticas: possibilidades e diferenças

Qual é a diferença entre metodologias, rotinas e práticas ativas? Elas variam em questão de flexibilidade, estrutura, complexidade e autonomia do estudante.

Nesse contexto da aprendizagem ativa, as metodologias ativas, rotinas de pensamento e práticas ativas diferem entre si em relação a três características: 

  1. a preparação prévia que o(a) professor(a) precisa ter, em relação a espaço físico e utilização de materiais, por exemplo; 
  2. o tempo em que essa metodologia, rotina ou prática vai acontecer; 
  3. e o grau de autonomia dos(as) estudantes

Metodologias, rotinas de pensamento e práticas ativas vão, nesta ordem, de um modelo mais estruturado, complexo e que demanda mais independência dos alunos e das alunas para um menos estruturado e que exige menos autonomia dos(as) estudantes. 

O trabalho com metodologias ativas necessita de uma preparação prévia por parte do professor, pois possui uma determinada estrutura a ser seguida, como a organização da turma em grupos e a divisão de atividades. Também demanda mais tempo para a sua realização e requer maior autonomia dos alunos e das alunas. São exemplos a rotação por estações (em que a turma é dividida em grupos, cada um com uma tarefa diferente, e rotacionam pelas atividades) e a sala de aula invertida (estudantes acessam os conteúdos em casa e vêm para a aula para debatê-los).

No outro extremo, as práticas ativas são ações menos estruturadas, que demandam menos tempo e exigem menos autonomia dos alunos e das alunas, mas, ainda assim, são formas de levar o(a) estudante à reflexão. Um exemplo é quando o professor ou a professora propõe discussões e faz questionamentos à turma. “É quando perguntamos para o aluno ou a aluna porque ele(a) fez determinada colocação ou se ele entendeu uma explicação”, exemplifica Glaucileide.

Rotinas de pensamento: uma forma de estruturar o raciocínio

Já as rotinas de pensamento, por sua vez, ficam no meio termo. Elas têm menos passos do que as metodologias ativas, mas são fundamentais para ajudar o estudante a estruturar o pensamento. Um exemplo é a técnica “Ver-Pensar-Perguntar”, que envolve observar uma imagem ou situação (ver), interpretar o que se vê (pensar) e fazer indagações (perguntar). 

Glaucileide contou que as rotinas de pensamento são resultado do Project Zero, projeto que tem mais de 50 anos, da Universidade de Harvard. Elas se caracterizam por sequências simples de pensamento, como o “Ver-Pensar-Perguntar”, mas que têm uma intencionalidade pedagógica muito clara. Quando aplicadas e praticadas com frequência em situações apropriadas, elas estimulam padrões de pensamento que se expandem para outros contextos. 

“Se eu uso essas rotinas em determinada disciplina, aquele padrão de pensamento acaba sendo internalizado pelo aluno ou pela aluna e vai acontecendo de forma natural em outras disciplinas e até mesmo fora da sala de aula. Por exemplo, quando eles e elas veem uma notícia no jornal ou uma mensagem no Whatsapp, eles(as) vão se perguntar se aquilo faz sentido. Por isso, é uma ótima forma de estimular nos(as) estudantes estruturas de pensamento úteis para diversas situações.”

Ela esclareceu que as rotinas de pensamento são formas de pensar que podem ser aplicadas em todos os segmentos, da educação infantil ao ensino superior, com as devidas adequações, e nas diferentes áreas do conhecimento, tanto no ensino presencial quanto no remoto.

Conversa de papel e 3-2-1 Ponte: rotinas para estimular a reflexão

Como exemplos de rotinas de pensamento que permitem levantar conhecimentos prévios dos estudantes, aprofundar a aprendizagem e trazer evidências de que ela de fato aconteceu, a especialista citou duas atividades: “Conversa de papel” e “3-2-1 Ponte”.

Na Conversa de papel, que pode ser realizada tanto no formato remoto como no presencial, o(a) professor(a) lança uma provocação, pergunta ou palavra-chave para a classe sobre um determinado tema. Os alunos e as alunas, divididos em três grupos, vão escrever as ideias que tiveram e o que pensaram sobre o assunto. 

As respostas de cada grupo vão sendo passadas para os outros grupos, de modo que todos interajam com as três frentes, seja complementando as ideias, concordando, discordando ou levantando novos questionamentos. Ao final, o professor expõe os três grupos de respostas, com as conexões que foram feitas. A exploração da temática pelo(a) professor(a) pode partir dessas interações e das dúvidas que os alunos trouxeram. 

“Além de possibilitar levantar ideias, construir hipóteses, incentivar o questionamento e considerar outras perspectivas, a ‘Conversa de papel’ considera também o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a colaboração, a participação, a escuta empática e empatia de forma geral”, ressaltou a especialista.

Já no 3-2-1 Ponte, a partir de um determinado tema ou pergunta, os(as) alunos(a) devem escrever o que sabem sobre o assunto em 3 palavras, 2 perguntas e 1 metáfora (comparação). Após os estudantes fazerem seus registros, o(a) professor(a) disponibiliza materiais para consulta, reflexão e aprofundamento do tema. Com isso, eles escrevem novamente as 3 palavras, 2 perguntas e 1 metáfora. O objetivo é comparar as respostas e levar os(a) estudantes a refletirem sobre o que mudou em relação às suas percepções e porquê.

A rotina de pensamento na prática

Glaucileide contou que, em um determinado projeto, trabalhou com uma turma a frase “escreva tudo o que você sabe sobre vida humana fora da Terra e vida extraterrestre”. Após os(a) alunos(a) fazerem seus registros, ela passou um vídeo sobre o tema, propôs a leitura de um artigo e discutiu os dois com a turma. Os alunos e as alunas então fizeram a reescrita.

“A ponte [do título da atividade] acontece quando os estudantes começam a refletir sobre as respostas e analisar se as perguntas que fizeram mudaram a partir dos novos conhecimentos e se aprenderam algo de novo e de interessante. Essa troca entre eles é maravilhosa e interessantíssima. Na atividade que fiz, pude ver a evolução do pensamento deles e delas em apenas uma aula, como aprofundaram o conhecimento, passaram a ter um domínio maior sobre aquele conteúdo e trouxeram reflexões mais ricas e de forma muito mais clara e visível.”

Segundo ela, no contexto atual das aulas remotas, essas rotinas de pensamento têm sido um bom trunfo. “Às vezes, é angustiante e desafiador estar com os alunos com as câmeras fechadas e sem abrir o microfone. Nesses momentos, as rotinas de pensamento têm sido a salvação das aulas à distância”, finalizou.

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