Encante-se: como manter conexões mais amorosas e positivas nas famílias

Nosso pote mágico foi aberto mais uma vez! No final de maio, famílias de estudantes de nossas escolas parceiras participaram da segunda edição do Encante-se! A educadora parental Elisama Santos falou sobre a importância de construir conexões mais seguras e de como enfrentar as dificuldades da adolescência. A gente conta todos os detalhes aqui!

O segundo encontro do Encante-se! Um convite para construir relações mais afetuosas, realizado em maio, foi tão especial quanto o primeiro, com o Thiago Queiroz, criador do site Paizinho Vírgula. O evento foi oferecido pela Geekie aos pais e às mães dos(as) estudantes das escolas parceiras que usam o Geekie One.

Claudio Sassaki, CEO e cofundador da Geekie, abriu o encontro, contando que é pai de quatro crianças: Yasmin, Luana, Vitor e Lucca. Ele que também é educador parental disse o quanto é desafiador a missão de pai nesses tempos de pandemia. E convidou a psicanalista Elisama Santos para o bate-papo com as famílias.

Ela é escritora, especialista em inteligência emocional e educadora parental reconhecida pela Discipline Positive Association. É autora dos livros Educação Não Violenta (editora Paz e Terra, 2020), Por que Gritamos? (mesma editora, 2019), {Re}Olhar – acolhendo quem somos e os filhos que temos e Tudo eu! Confissões de uma mãe sincera (O Livro Aberto, 2016).

Assista ao encontro com Elisama Santos  e leia os principais destaques aqui no InfoGeekie!

À medida que os(as) filhos(as) crescem, perdemos a disponibilidade

Elisama começou o bate-papo contando que passou a tarde assistindo a um filme com seu filho e sua filha. Porém, ela disse que não foi fácil a escolha do título. Cada um tinha um gosto diferente. Foi aí que percebeu que se distanciou das preferências dele e dela. “Quando eram pequenos, eu sabia todas as músicas do Palavra Cantada. Á medida que foram crescendo, fui me inteirando cada vez menos, não só das músicas, mas também dos livros e das séries de filmes de que ele e ela gostam”.

E fez um alerta: “Parece que, à medida que os nossos(as) filhos(as) crescem, a gente vai perdendo a disponibilidade de abertura para se conectar com o que eles gostam de ouvir, assistir e jogar. Tudo fica desinteressante para gente. Mas não podemos perder essa conexão com eles e elas”.

Não inclua seu(sua) filho(a) na lista de coisas chatas!

Além desse afastamento entre famílias, filhos e filhas, Elisama ressaltou que a pandemia trouxe muitos lutos, além de mortes, como o luto das festas de aniversário, o luto das festas de fim de ano, o luto das viagens que a gente queria ter feito e não pôde, e tantos outros. Ao mesmo tempo, tivemos que lidar com vozes internas de cobranças por tantas demandas do dia a dia.

Com todo esse contexto, as crianças, que deveriam ocupar um lugar gostoso, se tornaram itens na nossa lista chata de reclamações: não querem estudar, não querem tomar banho, não organizam o quarto. “Que crianças chatas! Mas isso não é falta de amor! É que a vida atropela a gente! Nossos filhos e nossas filhas estão do mesmo lado que nós. Eles(as) têm um problema, mas não são o problema, como costumamos enxergar. Tire ele ou ela da lista de coisas chatas”, aconselha.

A raiva é uma capa que esconde outros sentimentos

Outro ponto que Elisama tocou foi a raiva. Para ela, é um sentimento que está em segundo plano. Significa que não surge sozinho.

“Você não acorda em um lindo dia dizendo que decidiu sentir ódio naquele momento. A raiva é uma capa que esconde outros sentimentos, como tristeza, medo, frustração, angústia, ansiedade, irritação. Tem uma dor que você está namorando. É algo na sua vida que você não está conseguindo se conectar e olhar. Preste atenção nisso”.

Não dar conta significa que não tem apoio suficiente

A raiva pode fazer com que a pessoa se sinta mal com ela mesma.

“Nesses seis anos de trabalho, eu nunca recebi tantas mensagens de mulheres que falam que se sentem a pior mãe do mundo, culpadas. Você não é uma máquina fazedora de coisas. A gente pensava dar conta de tudo até o mundo nos sobrecarregar e tirar nossas redes de apoio na pandemia. Na comunicação não violenta, não dar conta dos problemas significa não ter apoio suficiente”, explica a psicanalista.

Por isso, é importante buscar apoio sempre.

Guarde essa palavra em uma caixinha especial: CONEXÃO!

Além de buscar apoio, permita-se se dar apoio. Inclua na sua vida a palavrinha mágica: conexão. Elisama pergunta:

  • Quantas vezes você parou para respirar e sentir que está vivo(a)?
  • O que você tem feito para se lembrar que é uma boa mãe ou um bom pai?
  • Quantas vezes você conseguiu olhar para o seu filho ou sua filha e admirá-lo(a)?

Se não houver conexão na família, seremos infelizes e a vida ficará cada vez mais difícil.

Não perca a curiosidade e valorize os pontos positivos

“A gente perde a curiosidade sobre quem a gente é, sobre quem os(as) nossos(as) filhos(as) são. Se você grita com a criança ou o(a) adolescente, já pensa: eu não tenho paciência. Ou meu filho ou minha filha é muito teimoso(a) e não quer escutar ninguém. É só na base do grito. Nós temos resposta pronta para tudo e não se permite perguntar para gente mesmo(a): o que era tão importante para mim que saiu em forma de grito? Por que ele(ela) se comportou daquela forma?”, reflete Elisama.

E as perguntas continuam… “O grito foi causado pelo cansaço? Você olhou para o que você sentia? Será que você está se escutando? Apesar da exaustão, você tem alimentado seu filho ou sua filha, tem ajudado nas lições, mantido a organização da casa”. Elisama sugere listar tudo que foi feito de positivo e parar de listar obsessivamente os erros. Temos que parar de acreditar que não somos bons o suficiente.

Adolescência: uma casinha que precisa de reforma

Outro assunto abordado no encontro foi sobre a adolescência. Ela comparou a uma casinha que precisa de reforma. “É uma fase de transformação muito grande, pois precisa sair do lugar de criança para uma ‘reforma’ interior. É aquela casinha de criança que ficou apertada, espremendo muitos sentimentos lá dentro. Precisa reformar para torná-la uma casa maior. Temos a tendência de olhar como uma casa já construída. Mas é bom lembrar que é um processo individual: cada reforma será de um jeito, sem comparações.

No início da adolescência, pais, mães e responsáveis, gradualmente, saem do lugar de administrador(a) da vida dos(as) filhos(as), que vão criando asas.

“Aqui vale um alerta: os(as) adolescentes enxergam o medo de uma forma diferente dos(as) adultos(as). São mais destemidos(as). A neurociência explica isso. Vem uma avalanche de sentimentos e emoções“, explica a educadora.

“A família precisa, nessa fase, olhar com olhos de curiosidade, enxergando que é uma pessoa querida que está se transformando. É conseguir abrir os horizontes e ampliar a visão, olhar com mais profundidade, sem julgamentos”, aconselha a especialista.

Confira dicas da Elisama Santos para estreitar as conexões familiares.
Veja estas e outras dicas na página do Instagram da Elisama Santos.

Pré-adolescência: reconheça as limitações

Pré-adolescência também é um grande desafio, segundo Elisama. Nessa fase, a família costuma exigir mais responsabilidades. Mas eles(as) estão cheios(as) de dúvidas. Muitas vezes se sentem inadequados(as). É quando começam as questões existenciais e de propósito de vida. A educadora alerta que há uma grande insegurança emocional.

“O menino ou a menina habita um corpo que não sabe como vai ficar. Tem um lugar dentro dele(a) que não quer crescer. Isso aconteceu com meu filho. Ele ficou com medo de perder o encantamento ao deixar a infância. Ele questionava: se eu não quiser mais brincar e não gostar mais de brinquedos? É o medo de crescer. Nesse caso, é importante que a família reconheça que existem limitações. É olhar sob a percepção do(a) filho(a). Assim é possível melhorar a conexão”, alerta ela.

Não deixe seu(sua) filho(a) em uma redoma de vidro

Proteger demais os(as) filhos(as) não é uma boa opção, segundo a educadora. Ela aconselha que os(as) adolescentes façam suas próprias escolhas. “Temos medo de que eles(as) errem. A gente quer controlar tudo. Mas é ilusão. Você precisa confiar que ele ou ela saiba fazer escolhas”, aconselha a psicanalista.

“Que bom que nessa fase do errar, você estará por perto para apoiar. Quanto mais você impõe e briga, menos você saberá da vida de seu(sua) filho(a). Enquanto ele ou ela é pequeno(a), você pode deixá-lo(a) na cadeirinha, no banco de trás do carro. Mas quando vira adolescente, ele(a) tira você da direção. Por isso, aproveite cada momento para conversar e se conectar. Daqui a pouco, ele(a) poderá ficar inacessível. E toda vez que tentar conversar, terá um retorno monossilábico”, avisa a educadora.

Leia também: O bom de errar: quando o esforço é mais importante que o resultado, por Claudio Sassaki

Mande bilhetes amorosos e bem-humorados para seu(sua) filho(a)

Além das conversas, vale também outras táticas para manter a conexão. Elisama contou o caso de um adolescente, de 16 anos, que não fazia o básico da higiene diária. Não gostava de tomar banho e nem de escovar os dentes. Ao invés de dar bronca, a mãe passou a deixar bilhetes carinhosos e bem-humorados colados no espelho do banheiro.

O resultado foi surpreendente! Em 15 dias, o garoto mudou seu comportamento para melhor. “Bilhete é bom porque não grita e não tem espaço para um sermão gigante. Esse simples recurso ajudou a criar conexão”.

Não dê ouvido à pressão externa

Muitas pessoas costumam criticar de fora, sem saber exatamente o que se passa no lar. Vale a pena dar voz à pressão externa?

“Nessas situações, eu sempre me lembro da frase: aqueles que dançavam eram considerados loucos pelos que não escutavam a música. A crítica que vem de fora de casa não pode guiar você. Não precisa de selo de mãe ou de pai legal! Ninguém precisa aprovar sua maternidade ou paternidade. O elogio das pessoas também não muda a sua vida e nem ajuda a resolver problemas.”

Relação tem que ser construída, sem punições

Quando os(as) filhos(as) são pequenos(as), a punição parece ser uma boa solução para que as crianças obedeçam aos pais e às mães. Mas, à medida que crescem, essa ilusão cai por terra. Por isso é tão importante ter relações construídas no diálogo, no vínculo e na conversa. Não significa que não vai ter momentos em que será preciso negociar com o filho ou a filha. E, é claro, colocar limites e regras, que devem ser respeitados.

Família sempre deve acolher as dificuldades dos(as) filhos(as)

Elisama também diz que é importante que os(as) filhos(as) busquem as próprias respostas e aprendam a questionar. Também devem ter consciência e responsabilidade pelos seus atos.

A família não deve deixar de acolher suas dificuldades. Se fez algo errado, como chutar e quebrar um objeto porque estava sentindo raiva de algo, não precisa punir, castigar ou brigar, mas mostrar que é responsável pelo seu ato e assumir as consequências de suas escolhas. E apontar caminhos para corrigir o erro.

Faça combinados para o uso de celulares

Como lidar com os hábitos das famílias em relação ao uso de celulares? Esta é uma das perguntas mais recorrentes na vida da educadora. Segundo ela, não adianta pedir para o(a) filho(a) não usar o celular e depois o pai ou a mãe fica o dia inteiro pendurado(a) no aparelho.

O ideal é fazer combinados em uma reunião familiar. Em determinados horários do dia, por exemplo, não se usa o celular ou outros aparelhos. Isso vale para adultos também, que têm que dar o exemplo. “Já vi famílias em restaurante, todos com seus celulares: pai, mãe e filhos(as). Nós nos conectamos com o mundo todo, mas se desconecta de quem está na nossa frente. Precisamos mudar isso”.

Quantas vezes por dia você se lembra do amor do seu filho ou da sua filha?

Elisama termina sua fala pedindo para que todos e todas aproveitem o dia a dia com seus filhos e suas filhas. “Já reparou que cada criança tem um quentinho diferente nas mãos? A firmeza, a leveza e a textura da pele também são diferentes. O jeito de apertar os olhos e de sorrir também. Vale a pena ter esses momentos simples do dia a dia com os(as) filhos(as), o prazer de estarem juntos(as), conseguindo transformar esse amor em algo que faça sentido. E que eles e elas tenham a certeza de que são amados(as).

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