Saúde mental: escuta ativa, acolhimento e atividades socioemocionais nas escolas

A Geekie promoveu um encontro sobre saúde mental com cerca de 80 mantenedores(as) de escolas parceiras. Representantes de sete instituições de ensino apresentaram experiências, aprendizados e soluções para apoio aos(às) estudantes e suas famílias nesse período pandêmico. Entre as boas práticas citadas estavam atividades socioemocionais de acolhimento, atendimentos psicológicos e assembleias de classe. Veja aqui mais detalhes sobre as contribuições desse bate-papo. 

Como manter a saúde mental nas escolas? Carol Brant, líder do time pedagógico da Geekie, mediou o encontro sobre esse tema, abrindo o bate-papo com uma frase inspiradora de Rubem Alves:

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.

Com essa citação, Carol quis ressaltar como a escuta ativa pode contribuir para a melhoria da saúde mental nas escolas. Alguns colégios trouxeram experiências sobre esse tema para o encontro realizado para a rede de escolas inovadoras que adotam o Geekie One, a plataforma de educação baseada em dados da Geekie.

A escuta ativa precisa ser empática

Um bom exemplo prático disso é o Colégio Stagio, de São Bernardo do Campo (SP). Giovanna Menucelli, vice-diretora e professora orientadora do Ensino Fundamental Anos Iniciais, contou que a escola tem características muito humanistas e que, para enfrentar a pandemia, utilizou a escuta empática para cuidar da saúde mental de sua comunidade.

“Para praticar a empatia, trabalhamos com o material do Geekie One sobre Projetos de Vida nas turmas do Ensino Médio. E tem dado muito certo”, complementa Angélica Silva, psicóloga e orientadora educacional da escola.

Os pequenos também costumam ter momentos de escuta empática. Ana Lucia Seifer, psicóloga e orientadora educacional do Ensino Fundamental Anos Iniciais, disse que as crianças têm espaço para discutir suas dificuldades em assembleias de classe, ferramenta muito utilizada da Disciplina Positiva. “No presencial, os(as) alunos(as) costumavam ficar dispostos em círculos. Mas tivemos que adaptar a atividade para o ambiente on-line. Dividimos a sala em grupos e usamos o recurso do Jamboard”, explica.

Atividades socioemocionais: dos(as) docentes às famílias

O Colégio Santa Maria Minas ⧿ que tem 13 unidades espalhadas por Minas Gerais ⧿ priorizou ações voltadas para o desenvolvimento socioemocional. Ana Rita Siqueira, coordenadora da Comissão Pedagógica de Inteligência Emocional da instituição de ensino, mencionou três projetos com esse objetivo:

  • Roteiros socioemocionais para as famílias trabalharem esses aspectos com seus filhos e suas filhas em casa;
  • Projeto Roda, em que professores(as) abrem espaços de escuta para os(as) estudantes em sala de aula;
  • Projeto Nós, encontros semanais com funcionários(as) para fortalecimento de vínculos emocionais.

Além disso, a escola promoveu eventos culturais on-line para toda a comunidade escolar. “Para que tudo desse certo, nós conseguimos integrar pessoas das mais diferentes áreas para pensar e propor todas essas saídas com o objetivo de enfrentar esse momento tão difícil”, complementou Luís Hernandes, coordenador da área de Ciência Humanas e Sociais do colégio.

Abordagem por meio de jogos e ludicidade

Mais uma escola mineira marcou presença no bate-papo: o Sistema Degraus de Ensino, da cidade de Juiz de Fora. Rodrigo Mendonça, diretor pedagógico, disse que a escola continua 100% com aulas remotas e que, na pandemia, fez um trabalho focado na orientação e no atendimento às famílias.

“Algumas mães nos procuraram e desabaram em choro porque não sabiam o que fazer diante de tantos problemas socioemocionais”, relatou Fernanda Pitta, psicóloga e coordenadora de Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais.

Ela disse que, no caso das crianças menores, as orientações eram feitas diretamente para as famílias. Já no caso dos(as) alunos(as) do Ensino Fundamental, a abordagem também foi realizada durante as aulas, com encontros socioemocionais por meio de jogos e dinâmicas, como a “forca das emoções” – trazendo para a tradicional brincadeira da forca temas relacionados à saúde mental para trabalhar esses conceitos com as crianças.

Ana Carolina Vieira Souto, psicóloga e professora de Educação Digital e Projeto de Vida, falou sobre as crianças maiores e os(as) adolescentes. Contou que, muitas vezes, usou o espaço de suas aulas como oportunidade para tocar em assuntos como fragilidade e regulação emocional. “Também abrimos uma agenda de atendimento psicológico individual para acolher as demandas dos(as) estudantes e estruturar as estratégias de intervenção”, afirma.

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Investimento em comunicação com as famílias

Escolas da capital paulista também participaram do bate-papo. Janaina Rangel, mantenedora e diretora pedagógica do Colégio Ranieri, ressaltou a importância da comunicação com pais, mães e responsáveis. “No começo da pandemia, a primeira ação que fizemos foi um site com uma agenda de atendimento para que as famílias pudessem entrar em contato conosco para tratar dos mais diversos assuntos”, explica.

Como a saúde mental de pais, mães e responsáveis não pode ser desconsiderada, além das conversas individuais, a escola organizou reuniões bimestrais on-line com as famílias. Todas foram gravadas e disponibilizadas para quem não pôde comparecer, e as ações de comunicação não pararam por aí: “A gente selecionou uma família de cada série e formou um comitê para nos ajudar em todas as decisões estratégicas da escola. Foi importante porque, nos grupos de WhatsApp das famílias, todos(as) ajudaram a gerenciar crises.”

Ela contou ainda que a instituição oferece um curso sobre Disciplina Positiva para as famílias,  como forma de apoiá-las emocionalmente.

Acolhimento e práticas emocionais ajudam muito na saúde mental de todos(as)

Outra instituição de ensino paulistana que focou em atendimento socioemocional foi a Escola Projeto Vida. “Quando começou a quarentena, a gente montou uma comissão de acolhimento formada por pessoas de diversos segmentos. Pensamos em atividades para diferentes públicos: estudantes, famílias e funcionários(as)”, diz Olga Lima, orientadora educacional.

Ela explicou que, no caso dos(as) alunos(as) do Ensino Médio, por exemplo, os conteúdos das aulas de Projeto de Vida foram reestruturados, com práticas emocionais relacionadas à pandemia. “Percebemos que os(as) adolescentes precisavam falar sobre depressão e ansiedade”, diz.

Para os(as) funcionários(as), a escola abriu um momento semanal para escuta, sempre com duas pessoas de plantão para atendimento. Para as famílias, o colégio ofereceu lives sobre os temas escolhidos por elas.

Cuidar do emocional, sempre com inclusão

O Nordeste esteve presente no encontro, com o Instituto Educacional Casa Escola, de Natal (RN). A instituição é referência em inclusão e acolhe estudantes com deficiência. “Cuidar do emocional no dia a dia é construir uma escola mais humanizada”, frisou Priscila Griner, diretora pedagógica.

Ela contou que a escola organizou conselhos de turma, em que estudantes falam sobre assuntos que os(as) incomodam, como solidão, desânimo e desestímulo. “Temos feito um trabalho de acolhimento individual e em grupo, não só para alunos(as), mas para toda a comunidade escolar”, complementou Juliana Guedes de Melo, psicóloga escolar.

Leia também: Encante-se: como criar vínculos familiares mais afetuosos e seguros

Um dos caminhos para a saúde mental é a educação pelo afeto

“Quando uma família chega para conhecer nossa escola, já oferecemos café com pão de queijo. A criança ou o(a) adolescente sempre leva um pedacinho do sítio para casa, como os ovos do nosso galinheiro”, contou Rafael Mansur, gestor institucional da 4 Elementos Sítio Escola, da cidade de Contagem (MG). Segundo ele, o foco é a educação pelo afeto.

Mas a retomada das aulas presenciais não foi tão fácil. Rafael relatou que as crianças menores, da Educação Infantil, chegaram assustadas à escola, com medo de pegar Covid, ficar doentes e transmitir o vírus para seus avôs e suas avós. Ficavam com a sensação de culpa. Algumas delas também desenvolveram comportamento exagerado com relação à limpeza.

Para enfrentar essa situação, a escola criou o projeto “Hoje eu posso voltar para o Sítio”, em que prevê um trabalho de conscientização sobre o coronavírus para as crianças da Educação Infantil. “A ideia é passar do abstrato para o concreto, mostrando o que é esse vírus invisível, por meio de representações”.

Já para o Ensino Fundamental, a instituição tem o projeto Rizoma. Antes da pandemia, uma vez por semana, os(as) estudantes conversavam sobre diversos problemas enquanto faziam atividades sustentáveis na terra, na estufa ou na composteira. Durante a pandemia, o projeto está ocorrendo de forma on-line. A ideia é retomar as atividades na volta às aulas presenciais.

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