‘Dono’ do conteúdo ou mentor? Qual é o papel do educador em sala de aula?

O último relatório do New Media Consortium (NMC), grupo criado por pioneiros do multimídia, estimou que em apenas um a dois anos o papel do professor da educação básica já terá mudado em escala global. O acesso direto cada vez maior dos alunos ao conhecimento via internet vai realçar o papel dos educadores como orientadores. Uma função muito mais interativa e dinâmica do que a tradicional.
O maior obstáculo a que a previsão do NMC se confirme é o próprio professor. Alguns deles temem abrir mão do papel de provedor-mor de conteúdo, do poder de definir o que é certo e o que está errado – muitas vezes com medo de que abrir espaço para os estudantes estimule a indisciplina.
Mas de qual conjuntura estamos falando, que explica essa mudança de cenário e desencadeia um novo processo de ensino e de atuação profissional?

O abre-alas

“As redes atraem os estudantes. Eles gostam de navegar, de descobrir endereços novos, de divulgar suas descobertas, de comunicar-se com outros colegas. Mas também podem perder-se entre tantas conexões possíveis, tendo dificuldade em escolher o que é significativo, em fazer relações, em questionar afirmações problemáticas.” Este trecho, do trabalho científico “Como Utilizar a Internet na Educação”, de José Manuel Moran, é de 1997. Se soa bastante atual é porque o grande marco do uso da tecnologia na educação continua sendo a internet.
Foi graças à web que estudantes puderam ter acesso rápido a conhecimentos que antes eram exclusivos dos educadores. Com isso mudaram seu jeito de estudar, de fazer lições de casa e se preparar para provas, muitas vezes contra a vontade dos professores. Mas continuam sujeitos, como muitos adultos, a se perder naquele mar de informações e dados. Precisam de um guia.

Além da internet

Desde a internet, várias outras mudanças provocadas pela tecnologia chegaram às salas de aula, com maior ou menor valor pedagógico. Uma das inovações consideradas mais relevantes é a da aprendizagem personalizada.
Antigamente, era muito difícil para o professor preparar aulas e materiais específicos para cada aluno. Turmas grandes e ferramentas limitadas, como o velho mimeógrafo e depois as máquinas xerox, não permitiam nenhum tipo de atenção individual.
Nada que se compare, por exemplo, às plataformas online. Como fornecem informações detalhadas sobre o desenvolvimento de cada aluno ou da classe, elas permitem ao professor montar uma aula que atenda a todos, mas concentrar sua atenção em sala de aula nos estudantes de baixo desempenho. A partir da análise dos relatórios gerados pelo uso da plataforma é possível desenvolver uma série de atividades para cada aluno, garantindo um aproveitamento muito mais inteligente do tempo gasto em sala de aula.

Mentor antenado

Interessante observar como a tecnologia, ao contrário do que muitos pensam, pode ser uma forma de aproximação e de personalização, e não de distanciamento e padronização. Seu uso na educação prova isso, mas quem quer que já tenha usado as redes sociais e o Skype para manter contato com amigos e parentes a milhares de quilômetros de distância sabe do que estamos falando.
Da mesma forma, recursos como as plataformas online não vieram para limitar o trabalho do educador, ou mesmo para substituí-lo. Quem se dispõe a trabalhar com as novas ferramentas tecnológicas consegue convertê-las em importantes aliadas no processo de ensino.
É por causa dessas mudanças que o trabalho atual do professor se aproxima, e muito, do de um mentor, alguém que dá suporte e encorajamento para que outra pessoa faça a gestão do próprio aprendizado e desenvolva todo o seu potencial.
Sem o mentor, o uso da tecnologia pode ser desvirtuado, como mostra o depoimento a seguir, de um professor da rede pública, colhido pela pesquisadora Thais Helena de Camargo Barros em sua dissertação Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na Educação: Professores, Mediadores, Mentores: “A tecnologia vem agregar uma ferramenta interessante de conexão e, no caso do UCA (Um Computador por Aluno), de portabilidade. O professor precisa mostrar (ao aluno) suas limitações, ajudar a descobrir como se movimentar nesse mundo – que acham ilimitado. No geral o aluno tem um certo domínio (do uso da tecnologia), mas não sabe usar, não tem quem oriente a como fazer conhecimento. E nem a escola sabe o que fazer com isso; há um esvaziamento da escola e do processo de autoria. Basta copiar-colar do Google.”
E você, o que acha do papel do professor? Ele deve ser um mentor ou manter a postura de disseminador do conhecimento? Dê sua opinião e ajude no nosso debate!
Veja a íntegra da pesquisa do NMC, em inglês http://cdn.nmc.org/media/2014-nmc-horizon-report-k12-EN.pdf

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