Como escolas estão se adaptando ao ensino híbrido em 2021: desafios e benefícios de diferentes modelos

Escolas parceiras da Geekie compartilham suas estratégias e experiências em encontro virtual de mantenedores(as), gestores(as) e coordenadores(as) das escolas parceiras da Geekie. Confira como estão se organizando para o retorno às aulas neste ano letivo.

O ano letivo de 2021 já começou com grandes desafios em decorrência da continuidade da pandemia do coronavírus. Em Manaus (AM), por exemplo, uma nova onda de casos da doença provocou superlotação dos leitos e a situação da saúde pública gerou novos (re)planejamentos para o retorno às aulas. A situação, infelizmente, não é exclusiva da região Norte. Muitas escolas brasileiras estão debatendo qual será o melhor modelo para o momento ainda tão complexo. 

Por conta deste cenário desafiador, a Geekie promoveu um encontro virtual com suas escolas parceiras para debater e trocar experiências e estratégias quanto aos modelos de ensino híbrido que elas adotaram em 2020 e como estão se planejando para 2021. Participaram do encontro o Colégio Connexus, de Manaus (AM), uma das primeiras escolas a retornar as aulas presenciais em julho de 2020; o Colégio Belo Futuro, de São Paulo (SP); e a Casa Escola, de Natal (RN). Confira como foi este encontro.

Em Manaus, Colégio Connexus vivenciou três modelos de escola em 2020

“No Colégio Connexus, em Manaus, vivenciamos em 2020 três formatos de escola: o presencial, no início do ano; o totalmente remoto, por cerca de 4 meses; e o híbrido (presencial + remoto), a partir de 6 de julho até o final do ano.” É assim que o diretor pedagógico do colégio, Carlos Fabiano Afonso de Souza , parceiro da Geekie define o ano passado. Na capital amazonense, os casos do coronavírus tiveram uma curva de crescimento rápido no primeiro semestre de 2020, mas logo a situação se estabilizou e permitiu o retorno a um modelo híbrido, permitindo aulas presenciais e remotas.

De acordo com a equipe pedagógica da escola, o regime híbrido foi estabelecido da seguinte forma:

  • Do 2º ao 8º anos do Ensino Fundamental: 3 dias de aulas presenciais por semana; 
  • Do 9º ano do E.F. e as três séries do Ensino Médio: 4 dias de aulas presenciais por semana.

Essa organização ainda intercalou os anos e séries ao longo do período remoto. “Decidimos fazer uma primeira semana, trazendo segmento por segmento primeiro, e depois, na semana seguinte, começamos a oferecer o modelo híbrido. Retornamos com cerca de 85% do nosso público, o que foi uma surpresa muito grande, mas precisamos intercalar os segmentos para garantir a segurança de todos(as) porque temos um grande número de alunos”, explica a coordenadora pedagógica do Colégio Connexus, Nívia Maria Crus Carvalho.

Houve também divisão das turmas de cada série em um modelo de aula com transmissão simultânea para estudantes do presencial e do remoto, além da gravação das aulas presenciais para discentes poderem assistir ao conteúdo de maneira assíncrona. O diretor do colégio também acrescenta: “Todos os alunos e as alunas assistiam às aulas presenciais, dividindo as turmas pela metade. Portanto, as aulas presenciais eram repetidas para as duas metades das turmas a cada dia. Nem todas as turmas precisaram ser divididas em duas, mas a maioria, sim”.

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Em São Paulo, o Colégio Belo Futuro testou retorno presencial com 20% dos(as) estudantes e apenas com atividades extracurriculares

A necessidade do retorno às aulas presenciais em 2020 para o Colégio Belo Futuro, de São Paulo (SP), foi solucionada, no primeiro momento, com 1h de atividades complementares por semana para os(as) estudantes. Essa foi uma medida para diminuir a pressão do isolamento social enfrentada pelas crianças e adolescentes da escola. Em novembro, quando o governo do Estado de São Paulo autorizou a retomada parcial das aulas presenciais para o Ensino Médio, o colégio passou a receber 20% dos(as) estudantes de cada turma (cerca de 6 alunos e alunas) em dias alternados da semana.

Annelize de Farias Lenci, diretora pedagógica do colégio, explica que neste momento da retomada das aulas presenciais,  apenas professores e professoras que não faziam parte do grupo de risco voltaram para o prédio da escola.

O modelo adotado entre novembro e o final de dezembro também foi o de transmissão simultânea para estudantes que estavam na escola e aqueles que continuaram em casa. Já as aulas de docentes do grupo de risco foram ministradas de suas casas e os alunos e as alunas que estavam na escola acompanharam o conteúdo usando seus chromebooks.

“Começamos bem precavidos e com pouco tempo dentro da escola para fazer com que estudantes, professores(as) e colaboradores(as) sentissem segurança e também para que pudéssemos entender quais seriam os problemas naquele momento que poderíamos resolver antes de ultrapassar para uma próxima fase”, explica a diretora do Colégio Belo Futuro.

Camila Karino, diretora pedagógica da Geekie, reforçou que este modelo de retorno gradual, recomendado pelas autoridades de Educação e Saúde, é o caminho mais indicado para a retomada. Ela destaca que esta forma de retomar as aulas, que envolve testes antes de cada passo do retorno, é importante para a escola sentir o comportamento de toda a comunidade escolar e entender como a instituição pode enfrentar os possíveis problemas ocasionados pela pandemia do coronavírus antes de avançar para uma flexibilização maior das aulas presenciais.

Em Natal, comissão de gestores(as) dialogou com autoridades para garantir a retomada das aulas presenciais em 2020

Priscila Griner, diretora pedagógica da Casa Escola, de Natal (RN), conta que sua instituição foi uma das primeiras a interromper as aulas presenciais na capital potiguar. Isso ocorreu porque a escola recebeu uma notificação da Secretaria Municipal de Saúde local informando que a família de um(a) estudante teve contato com um indivíduo infectado pelo coronavírus durante uma viagem de avião. 

Naquele momento a escola, que oferece formação do Ensino Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental, continuou suas aulas através do Meet, tendo o Drive como suporte, o que mudou para o Edmodo, pois não conheciam a Geekie até então.

Na Educação Infantil, os docentes passaram a planejar com 3 semanas de antecedência “enviamos a cada duas semanas materiais e atividades por motoboy”, comenta a diretora com um exemplo de estratégia de ensino e interação. As famílias da Educação Infantil traziam a dificuldade das crianças permanecerem nas aulas on-line, então foram produzidos mais vídeos e atividades xerocadas com roteiros que sustentaram, com a ajuda dos pais, as aulas desse setor.

“Diante de tanta mudança em tão pouco tempo, tivemos muitas dificuldades neste processo, como alunos(as) fechando as câmeras, ficando debaixo da mesa, famílias questionando sobre nosso modelo. Inclusive, o tempo de reunião com as famílias foi incontável. Elas precisaram de muito apoio porque tanto elas como alguns estudantes começaram a desenvolver quadros de depressão por conta de toda a situação”, lembra Priscila.

Além do apoio para a comunidade escolar, a escola também formou uma comissão com as famílias e funcionários da escola para debater todos os passos do retorno às aulas, uma estratégia importante para manter a confiança da comunidade escolar: “O retorno às aulas presenciais no Estado foi anunciado para o dia 15 de setembro e essa comissão de famílias e funcionários nos trouxe bastante credibilidade para seguir com os protocolos. A escola já estava bem pronta para o retorno e voltamos com 25% dos(as) estudantes e a cada semana foi aumentando esse percentual”.

Outro ponto importante relatado pela diretora foi a elaboração de uma Comissão de gestores e gestoras das escolas da cidade de Natal e de outros municípios do Estado. Ela relata que essa comissão recorreu à opinião especializada de médicos e imprensa para convencer prefeitura e governo do Estado a permitir o retorno às aulas presenciais, dado o quadro agravado do aspecto socioemocional de muitos estudantes e suas famílias.

Outra estratégia diferenciada da escola foi no Ensino Fundamental 2 o aumento do intervalo para uma hora de duração com acompanhamento da equipe pedagógica. Essa medida propiciou um tempo maior de socialização entre os estudantes da escola e ajudou a alinhar o tempo de exposição à tela dos alunos que ficavam em casa no ensino remoto. “Os pais da escola solicitavam a redução da carga horária de estudo, o que fomos aumentando progressivamente para todos os segmentos da escola”.

Protocolos de segurança: como as escolas lidaram com a contaminação pelo coronavírus de estudantes, docentes e funcionários?

Annelize, diretora do Colégio Belo Futuro, relata dois casos que geraram aprendizados importantes. O primeiro foi de uma professora infectada com o coronavírus, também em um ambiente externo. A ação foi mapear os contatos que a docente teve dentro da escola e manter a transparência na comunicação com toda a comunidade escolar. O resultado foi o afastamento de 12 funcionários(as) da escola, porém, nenhum deles(as) testaram positivo para o coronavírus. A dica da diretora foi que cada escola precisa sempre retomar seu plano de segurança, fazendo reuniões semanais ou quinzenais com um comitê dedicado ao assunto. Na pauta desses encontros está a análise das ações adotadas para verificar se elas precisam de alguma revisão durante as aulas presenciais.

Outro caso relatado pela diretora aconteceu com estudantes do Ensino Médio. Quatro alunas foram até o banheiro e, embora de máscara, tiraram e postaram fotos juntas na frente do espelho. A situação não teve repercussão fora da escola, mas os(as) docentes ficaram preocupados com a conduta das estudantes por conta da segurança de todos e todas no ambiente. A diretora relata que aquele momento não exigia uma punição, mas, sim, uma orientação mais direcionada ao grupo de garotas.

“Um aprendizado que tiramos de tudo isso é que, quando se retorna para o presencial de forma gradual, com poucos alunos e alunas, acontecem alguns problemas, mas a gente consegue prever o que pode acontecer com mais turmas e como agir”, conclui Annelize.

Na Casa Escola, com a retomada às aulas presenciais conquistada, a escola entendeu a importância de manter a transparência com estudantes, famílias e docentes. A diretora Priscila conta que apenas uma professora auxiliar foi acometida pelo coronavírus e diante do tipo de contágio e contato com a escola, somente ela precisou se afastar. Frente ao ocorrido, toda a comunidade foi informada, a docente afastada para sua recuperação e os protocolos referentes a biossegurança mantidos.

Sobrecarga de docentes: como lidar com a necessidade de mais aulas?

Como as escolas parceiras da Geekie relataram, diversas estratégias para manter as aulas e garantir a saúde de toda a comunidade escolar foram tomadas ao longo do período de aulas remotas e no retorno às aulas presenciais. Frente a isso, fica a questão: Como suportar o aumento da carga horária de docentes para manter a aprendizagem de estudantes?

Nívia, coordenadora do Colégio Connexus, conta que a escola forneceu apoio tanto para a saúde mental como para a formação de cada docente: “Sempre que eu apresentava a um professor ou a uma professora que nossa estratégia era duplicar a aula para atender as turmas, destacávamos também os pontos positivos dessa ação. O ganho era um processo de ensino e aprendizagem ainda mais próximo dos alunos e das alunas naquele momento, potencializando, assim, as experiências que eles e elas propunham em cada turma.”

A coordenadora também conta que montou uma equipe de suporte para isentar os(as) docentes de algumas tarefas mais burocráticas — como preenchimento do diário de classe e elaboração das avaliações, por exemplo — para liberar tempo deles e delas para focar nas atividades pedagógicas. 

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O que deve mudar no planejamento das escolas em 2021?

Para 2021, o Colégio Connexus está planejando fazer diferente de 2020. “Ao invés de duplicar a aula como fizemos em 2020, vamos dividir a turma entre presencial e remoto e o docente vai fazer apenas uma aula para ambas as turmas. Como já adquirimos experiência de como conduzir as aulas dessa forma, estamos investindo na formação e preparação dos professores e das professoras para continuar com o modelo simultâneo em 2021”, relatou a coordenadora do colégio.

A mesma estratégia será adotada pelo Colégio Belo Futuro, de São Paulo. A diretora da escola explica que ao invés de atender todos os dias e todos os segmentos, atenderemos cada segmento em dias diferentes. Nossa ideia é separar estudantes em duas turmas e, com o apoio dos(as) auxiliares de classe, enquanto uma parte da turma assiste à aula com o professor ou com a professora, a outra parte assiste pelo chromebook de forma simultânea. Na aula seguinte essa lógica se inverte para todas as turmas terem contato com docentes. “O objetivo dessa estratégia é fazer com que os alunos e alunas desses dois segmentos se sintam mais motivados ao verem mais colegas dentro da escola”, destaca Annelize.

Priscila Griner, diretora da Casa Escola, por sua vez, destacou que o modelo de transmissão simultânea traz desafios tanto para docentes, como para estudantes. “O trabalho do(a) docente exige um olhar no olho de cada aluno ou a aluna, uma atenção especial para cada estudante. Por isso, estruturamos nosso modelo usando câmeras de uma forma que permitiam que os(as) estudantes que estão em casa consigam ver aqueles(as) que estão no presencial.”

Camila Karino destaca que uma outra abordagem possível é a instrução diferenciada. “Essa estratégia consiste em colocar uma parte da turma assistindo à aula do professor ou da professora — assim o(a) docente pode focar nas necessidades desses(as) estudantes —, enquanto a outra parte faz atividades direcionadas em outro espaço ao invés de assistir à mesma aula de forma simultânea”, explica a diretora pedagógica da Geekie.

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