Marcos Piangers, autor de “O papai é pop”, dá 5 dicas sobre como enfrentar os desafios no processo de educação dos(as) filhos(as)

O escritor Marcos Piangers ministrou uma palestra online no programa Todos na Primeira Fileira, no canal da Geekie no Youtube, em outubro. Ele falou sobre os desafios das famílias no processo de educação de seus filhos e suas filhas na pandemia. Também a importância do bom uso das tecnologias e das habilidades humanas nas futuras profissões. Veja, a seguir, como foi o evento.

No dia 21 de outubro, o escritor Marcos Piangers, autor do o best seller “O papai é pop“, ministrou uma palestra sobre os desafios de pais, mães e responsáveis assumirem novos papéis com a aproximação do processo de educação de seus filhos e suas filhas na pandemia. O evento – que foi transmitido ao vivo pelo canal da Geekie no Youtube e teve mais de 7 mil visualizações – faz parte do programa Todos da Primeira Fileira, uma iniciativa do Geekie One para auxiliar as escolas parceiras em suas campanhas de matrícula para 2021.

Prazer em conhecê-las, Anita e Aurora

Piangers iniciou a palestra contando como é a relação que tem com suas duas filhas: Anita, de 15 anos, e Aurora, de 8. Elas foram fontes de inspiração para a produção de seu livro “O papai é pop”.

“Anita é uma menina que se maquia, lava o rosto e penteia o cabelo para assistir às aulas virtuais. Eu perguntei: Por que você fica toda bonita? Está com algum gatinho? E ela respondeu: não, pai. Eu quero deixar minha câmera ligada em respeito ao professor. Eu pensei: que bom que minha filha respeita a escola e o professor, ela se compromete com o aprendizado honesto. Tem um comportamento gentil, generoso, bondoso, humano no dia a dia para com esses profissionais que estão, de verdade, nos salvando durante a pandemia.”

Aurora, sua segunda filha, também tem um comportamento semelhante ao da irmã, mas com um detalhe a mais. “É uma menina que nasceu encantada, de dentro de um arco-íris. Ela agradece por tudo. Quando pergunto o que ela quer ser quando crescer, ela responde: um unicórnio. Outro dia estava em uma videoconferência com suas amigas, na plataforma da escola, desenhando um prédio onde irão morar depois da pandemia”. Ele sorriu todo orgulhoso.

A admiração e o respeito pelo(a) professor(a)

Piangers conta como é difícil dar apoio às filhas no momento do estudo em casa e que, assim como ele, muitas famílias devem estar passando pelo mesmo desafio. “Nem sempre a família consegue ter a paciência e o afeto que os(as) educadores(as) têm com seus estudantes. Além disso, há as angústias relacionadas  à pandemia e às inseguranças econômicas”, afirma o escritor.

Ele, como pai, está tentando ensinar suas filhas o respeito aos professores e às professoras e quer ajudar a escola a encontrar meios para que essa educação seja mais engajada. Ele cita o exemplo da Geekie:

“Fiquei muito feliz com o convite da Geekie para falar sobre o ensino híbrido, essa possibilidade de educar nossos filhos e utilizar a tecnologia como ferramenta de aprendizado e de engajamento. Em geral os(as) estudantes estão bastante engajados(as) em redes sociais, em jogos de celular, mas pouco engajados(as) no aprendizado. E é tão importante que a tecnologia também se utilize dessas ferramentas para engajar os(as) estudantes no aprendizado, e mergulhar no conhecimento, que é algo fantástico e inspirador”.

A tecnologia em três Cs

Piangers também explica que, em sua casa, seguem a regra dos três Cs da tecnologia:  

  • C da conexão, que é o momento em que as filhas estão conectadas com outras amigas, conversando e interagindo;
  • C da criação, quando as meninas acessam um vídeo para aprender a fazer uma dobradura, uma pintura ou algum tipo de arte, ou mesmo para ler um texto. Além de aprenderem, podem criar algo a partir do que viram ou leram;  
  • C do consumo, como comprar algo,  jogar videogame sozinha ou ficar horas na timeline.  

“Esse último C [do consumo] a gente não gosta muito, não. A gente controla, tem um horário limite. Às 8h da noite tem que desligar todas as telas: televisões e celulares. Todo mundo tem que ficar de forma analógica e saborosa, olhando um para o outro. E utilizando uma técnica que os antigos usavam, hoje em dia ninguém mais usa: conversar”.

E complementa:

“A tecnologia é uma super ferramenta, mas nada nos diferencia mais da máquina do que a nossa humanidade, da capacidade de desenvolver empatia, criatividade, trabalho em equipe, inteligência emocional, todas essas habilidades que são do futuro. Se a gente está preocupado em ter filhos bem sucedidos, não só profissionalmente, mas na vida, a gente deveria estar trabalhando isso, essa conexão afetuosa, essa cachoeira de amor e afeto, que a gente tem que dar, principalmente nesses momentos difíceis. E por que não estender esse amor e esse afeto aos professores, às instituições de ensino, às iniciativas de educação, como a Geekie, que tem o slogan Todos na primeira fileira”. 

A volta às aulas presenciais

Agora estamos em outra fase da pandemia: a volta às aulas presenciais. Mas como está sendo essa volta? Piangers cita dois exemplos impactantes de países que voltaram de uma forma diferente.

Em Portugal está se discutindo a volta às aulas sem recreio e com férias reduzidas. “Eu acho que o recreio é tão importante e valioso para que as crianças brinquem e possam interagir, conversar. Se não pode ainda, então talvez não seja a hora de voltar ao estudo presencial. Acredito que a escola é um ponto de cura, como um ambiente de troca muito rica pra gente simplesmente querer jogar o conteúdo quando as crianças voltarem para a sala de aula”, reflete ele.

Outro caso citado é na Tailândia, em que as crianças são colocadas em caixinhas de acrílico para brincar. “Isso me deixa o coração super apertado. Não é a melhor forma de voltar” lamenta o escritor.

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A revolução do remoto

Outro ponto importante abordado por Piangers foi a revolução tecnológica, em especial as ferramentas para o trabalho e o ensino remoto, impulsionada pela pandemia. Segundo pesquisas, cerca de 83% das empresas pretendem continuar com algum tipo de trabalho remoto, no período pós-covid.  

Outras plataformas vem crescendo também, como a de videogames. Ele cita o Twitch, em que crianças assistem a outras crianças jogarem. Tem também o Roblox, em que é possível criar jogos dentro de outros jogos. E se os jovens quiserem interagir por meio de chats e mensagens de áudio, as opções são o Among Us e o Discord, que estão em alta. Dá até para assistir shows dentro dos games, como é o caso do Fortnite, que registrou recorde de 12 milhões de jogadores com show do Travis Scott.  “É completamente diferente do meu mundo, da forma como eu cresci, como eu interagia com o conteúdo, com outras pessoas”, lembra o especialista.

#1 A tecnologia sempre existiu

Tantas novidades no mundo tecnológico, mas, segundo Piangers, a tecnologia sempre existiu, por isso não devemos nos assustar com tantas novidades chegando tão rápido a nossas casas. Como exemplos mais antigos, ele cita os aparelhos antigos de telefone (com cabo) e a máquina de escrever. Uma vez, uma de suas filhas fez analogia desse aparelho com uma “impressora com teclado”, já que, ao digitar, as letras são impressas automaticamente.

Hoje, segundo ele, as tecnologias são mais inteligentes. O mais importante é perguntar se estão sendo bem usadas. “Querer ir contra a tecnologia, ou destruí-la, ou proibir nossos filhos e nossas filhas de usarem os recursos tecnológicos não me parece um caminho saudável. É importante entender a tecnologia com maturidade e ética”, conclui ele.

#2 A tecnologia transforma a educação

A tecnologia está entrando aos poucos nos ambientes educacionais nas salas de aula, como é o caso da Geekie. E há outras iniciativas no mundo. Piangers cita o exemplo do menino Battushig Myanganabayar, que teve acesso à cursos a distância em sua pequena aldeia na Mongólia. “Quando a tecnologia é bem usada, encurta distâncias e permite às pessoas que nunca teriam acesso à educação de qualidade que possam ter grandes professores, trilhas de aprendizado, formas mais acessíveis e confortáveis de aprender”, reflete o escritor. 

Piangers conta que, ao escrever o livro “A escola do futuro”, leu várias pesquisas que apontavam uma grande preferência dos(as) alunos(as) por tecnologias na educação. Mas o que mais chamou a atenção dele foi a de que, não importa se a aula é online ou à distância, a figura central para os estudantes são os professores e as professoras. É a profissão mais inspiradora e transformadora do mundo.

#3 A tecnologia transformará as profissões 

“Não importa se nossos filhos serão médicos, engenheiros, arquitetos, jornalistas, publicitários, professores. Eles vão lidar com a tecnologia, vão usar ferramentas para entregarem o que for melhor naquela profissão”, analisa Piangers. Por isso é tão importante aprender a usar recursos tecnológicos na escola. Isso ajudará a desenvolver habilidades, como trabalhar a distância em equipe, exercitando a capacidade da escuta, produzindo projetos e aprendendo novas ferramentas. 

Segundo um estudo realizado pela Back Humans, 24% dos empregos pedem habilidades sociais e emocionais, e mais de 55%, na área de tecnologia. “Isso mostra que as crianças precisam desenvolver mais a autogestão, conhecimento tecnológico e capacidade de comunicação”, alerta Piangers.

E os robôs? Será que vão substituir os humanos? A previsão é que a inteligência artificial vai eliminar 1,8 milhões de vagas. Mas vai criar outras 2,3 milhões. A tendência é unir as inteligências humana e artificial.

#4 Seu filho ou sua filha poderá inventar uma profissão

Há 20 anos, não existiam: youtuber, blogueiro, cientista de dados, desenvolvedor de apps, webmaster, piloto de drone, host de Airbnb, assistente remoto, técnico de energia solar, especialista genético, consultor de ergonomia, gerente de mídias sociais, especialista em SEO, jogadores de videogames.

Segundo a StartSe, 65% das crianças hoje trabalharão em cargos que ainda não existem. Isso pode gerar uma certa insegurança para pais, mães e responsáveis, pois dá a impressão de não ser uma trilha muito segura. “Mas nossos filhos e nossas filhas terão a possibilidade de inventar e reinventar suas carreiras, com bastante inteligência emocional, estrutura para lidar com essas transições, flexibilidade cognitiva para aprender e desaprender o que não funciona mais e aprender de novo”, prevê o escritor.

#5 Habilidades humanas serão diferencial

Conhecimento tecnológico e criatividade são importantes, mas o que realmente irá diferenciar o(a) profissional será suas habilidades humanas, segundo Piangers. “É aquilo que a gente nasce, as capacidades de lidar com nossas emoções, de trabalhar em equipe, exercitar nossa comunicação, nosso autoconhecimento, nossa inteligência emocional para lidar com tudo que vem por aí”.

O escritor cita uma pesquisa realizada pela PWC com 2 mil CEOs ao redor do mundo em 2017, em que se perguntava quais eram as habilidades procuradas mais difíceis de serem encontradas. A resposta foi liderança, criatividade e inovação. Piangers também destaca outros pontos que poderiam entrar nessa lista como, adaptabilidade, inteligência emocional, trabalho em equipe, flexibilidade cognitiva, empatia e compaixão.

Outro estudo citado por ele foi o do Google, que passou 10 anos pesquisando características das equipes mais eficientes: confiança, comunicação, empatia, pensamento crítico, conexão de ideias complexas. Em último lugar: conhecimentos técnicos.

Famílias mais presentes

Como os(as) estudantes podem desenvolver todas essas características? “Às vezes, a gente acha que a escola tem que deixar nossos filhos e nossas filhas prontos(as). Eu não acredito nisso. Eu acredito que a função da família é educar os filhos. E passar mais tempo com eles e elas”. Diz Piangers.

Pesquisas, como a da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostram que pais, mães e responsáveis presentes geram maior possibilidade dos filhos e das filhas serem bem sucedidos(as), com autoestima elevada, menor probabilidade de comportamento antissocial, bom desempenho escolar e visão otimista da vida.

E Piangers encerra a palestra com uma frase de que gosta muito: “As habilidades mais importantes são aquelas que não podem ser replicadas por máquinas, que estimulam a inovação. O software não pode imitar paixão, o caráter ou espírito de colaboração. Agora é o coração humano, e não o cérebro, que nos diferencia”, Doy Seidman, CEO do LRNThe.

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