‘Não existe bala de prata em educação’, diz diretora do Aprendiz

A diretora-executiva da Associação Cidade Escola Aprendiz, Natacha Costa, esteve na Geekie na sexta-feira (20) para falar sobre a atuação da entidade e a situação da educação no Brasil. Natacha criticou a visão de que há um único fator capaz de transformar a situação atual do ensino. “Não existe bala de prata em educação”, disse.
Natacha fez a afirmação quando comentava tentativas de se adotar um currículo mais enxuto para concentrar esforços e melhorar o desempenho dos estudantes em avaliações externas. “O debate fica muito em cima de dicotomias falsas, do discurso das soluções rápidas.”
O raciocínio da diretora do Cidade Escola Aprendiz é mais amplo. Para Natacha, qualquer tentativa consistente de reformular o sistema de ensino passa pela “concepção de um projeto claro de país e do papel da educação nisso”. Esse deveria ser, segundo ela, o ponto de partida para definir políticas para questões como plano de carreira dos professores, formação inicial, currículo, creches, educação integral, ensino médio, gestão e financiamento.
Indagada se essa não seria uma visão utópica, Natacha citou o exemplo australiano, no qual, segundo ela, a questão do projeto de país permeou a discussão de reforma do currículo. “Foi um debate muito participativo, que terminou definindo objetivos claros de formação.”
Natacha admitiu, porém, que no caso brasileiro essa é uma agenda de longo prazo, para os próximos dez anos. “Só que não podemos ficar parados enquanto isso”, disse. “Temos todo um trabalho de implementar o Plano Nacional de Educação, que lida de forma concreta com várias dessas questões que estamos abordando.”
A diretora do Cidade Escola Aprendiz mostrou curiosidade em conhecer melhor os produtos da Geekie e elogiou o papel da tecnologia na educação. “A tecnologia cria as possibilidades para derrubar os muros da escola”, disse, mencionando entre as possibilidades abertas pela inovação digital a adoção de processos mais personalizados de ensino e a criação de redes colaborativas. “Não dá para abrir mão da tecnologia. Com sua linguagem e recursos, ela vai ao encontro do que os estudantes querem.”
A associação dirigida por Natasha tem três frentes de atuação. O Centro de Referências em Educação Integral apoia iniciativas e políticas públicas que pelo menos levem em conta a possibilidade de adoção de programas de ensino integral. O centro dá apoio técnico a prefeituras e Estados em áreas como, por exemplo, formação de equipes para tocar programas e produz conteúdo para divulgar a educação integral.
Outro programa é o São Paulo Cidade Educadora, que mapeia pontos de interesse e constrói redes de locais e pessoas para que crianças e adolescentes possam aprender fora da escola, com atividades complementares que vão do esporte à dança, passando por visitas a museus. O conceito é o de transformar o espaço urbano em “cidade educadora”. “A pauta desse programa mistura educação e direitos humanos”, disse Natacha.
A terceira frente de atuação do Cidade Escola Aprendiz é o projeto Aluno Presente, que busca garantir que todas as crianças e adolescentes de 7 a 14 anos do município do Rio frequentem a escola. “Fazemos a busca ativa do aluno que está fora da rede e, se for o caso, providenciamos para que ele seja matriculado”, afirmou Natacha.




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