Educadoras resolvem problemas da escola com Design Thinking

A educadora e orientadora educacional Elisângela Goulart precisava envolver seus alunos e suas alunas nas decisões da escola – o problema é que a maioria dos jovens da Escola Técnica Estadual (ETEC) Dra. Maria Augusta Saraiva, em São Paulo, não mostrava vontade de participar. Enquanto buscava metodologias que pudessem ajudá-la a aumentar o engajamento, deparou-se com o Design Thinking, algo que, até então, desconhecia. Foi aí que a lâmpada se acendeu na cabeça de Elisângela – por que não levar aquela abordagem, tão comum em empresas jovens e startups, para dentro da escola?

O Design Thinking, conforme o nome sugere, é uma forma visual de representar ideias e pensamentos. Ele envolve coletar e sintetizar informações, criar mapas mentais, propor e testar soluções rapidamente através de painéis coletivos – preenchidos com palavras-chave, post-its, recortes ou desenhos que expliquem claramente o desafio. A abordagem costuma ser empregada para resolver problemas e estimular a criatividade, coisas que a orientadora almejava.

“O processo criativo não acontece de qualquer jeito”, ela constatou; então, era preciso criar um ambiente que proporcionasse essa abertura. Encontrei Elisângela na manhã de sexta-feira (01/04), em sua sala na ETEC, que foi totalmente transformada para inspirar conforto, diálogo e criatividade – tudo com base no Design Thinking e na ideia de que o espaço, o visual, pode melhorar ou comprometer a comunicação. Desde o ano passado, essa ideia se espalhou tanto entre os(as) alunos(as) quanto entre a equipe da escola, e já foi inclusive implementada nas reuniões pedagógicas.

Design Thinking e a resolução de problemas

Mas como foi que o Design Thinking de fato transformou a rotina dessa escola? A jornada começou no segundo semestre de 2015, logo após o recesso escolar. Elisângela havia descoberto a metodologia e a levou para a direção da escola, que abraçou a ideia. Ela e a coordenadora do Ensino Médio, Vanessa Giron, assumiram o projeto acreditando que “se os(as) alunos(as) fazem parte do problema, eles precisam fazer parte da solução”.

Os alunos e as alunas do Ensino Médio foram convidados a participar de um projeto que mapeasse boas ideias para transformar a escola. “Não definimos com antecedência quais problemas queríamos resolver, foram os(as) alunos(as) quem os trouxeram”, explica a orientadora.

Dispondo de um flipchart e canetas coloridas – materiais ao alcance da maioria dos(as) professores(as) -, eles anotaram “sonhos” (aquilo que a escola não tinha, mas que eles gostariam que tivesse) e, em uma próxima coluna, acrescentaram “pesadelos” (o que a escola já possuía, mas não funcionava como deveria). Tudo em poucas palavras e muitos papéizinhos coloridos para direcionar a atenção e conectar ideias.

Uma das preocupações que se destacou entre os(as) alunos(as) foi quanto à área de convivência; logo, esse passou a ser o foco do projeto. O passo seguinte foi trazer inspirações – e lá está uma página do flipchart cheia de recortes e desenhos, a representação visual do que os(as) alunos(as) queriam para sua escola. O Design Thinking permitiu que identificassem possíveis empecilhos (e se o espaço de convivência for usado para matar aula?) e esperanças (podemos ter aulas de artes nesse espaço?).

Por fim, os alunos e as alunas definiram algumas palavras-chave para orientar a criação desse novo espaço: recordações, conexão, natureza, movimento. Porém, ele ainda não foi criado – antes de submeter o projeto para aprovação da direção da escola, os(as) alunos(as) vão tentar criar um protótipo trazendo seus próprios móveis, decoração e equipamentos para observar como as turmas interagem com o novo ambiente.

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Replicando o sucesso do Design Thinking

Mesmo fora do projeto, Elisângela percebeu uma mudança de atitude entre os(as) alunos(as) que aprenderam a usar Design Thinking. “Todos se sentiram integrados, parte de um processo”, comentou, “e alunos(as) e professores(as) foram contagiados por ele”. Outras práticas surgiram, inspiradas por aquele primeiro sucesso: hoje, tanto os encontros do grêmio estudantil quanto as reuniões de professores(as) seguem esse modelo de gestão. A equipe reconhece forças, fraquezas, oportunidades e ameaças (outra prática comum em empresas, facilitada pelo Design Thinking) para definir as intervenções mais urgentes na escola.

Vanessa explica que ter contato com esse tipo de metodologia ajudará os(as) alunos(as) no mercado de trabalho, já que desenvolve o pensamento crítico, a criatividade e a experimentação. “Mas também podem ser aplicadas para alcançar objetivos na vida pessoal”, assegura ela, que já fez seu próprio painel para planejar o ano na parede de casa.

A jornada das duas educadoras com o Design Thinking ainda vai render muito aprendizado. Esse ano, elas vão ajudar os(as) alunos(as) a prototipar o espaço de convivência, orientar o grêmio estudantil com base na nova abordagem visual e acompanhar e formar a equipe pedagógica para pensar em soluções criativas para a escola.

Este artigo foi originalmente publicado em 1º de abril de 2016 e atualizado em 16 de outubro de 2020.

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