Voo para a qualidade

Veja artigo escrito pelos sócios da Geekie, Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo, para o blog da Fundação Schwab, rede internacional referência em empreendedorismo social (aqui o link para a versão do texto em inglês).  A fundação escolheu em dezembro Sassaki e Bontempo vencedores do Prêmio Empreendedor Social. Os brasileiros e 31 ganhadores da premiação em outros 19 países vão participar do Fórum Econômico Mundial, que será realizado em setembro, na China.

Com seus impostos pesados e regulação governamental, o Brasil é conhecido como um lugar desafiador para empreendedores. O País também tem uma tradição de indicadores educacionais ruins. De alguma forma, nosso projeto teve de lidar com esses dois desafios.
No Brasil, são necessários em média 107,5 dias para abrir um negócio, de acordo com o relatório do Banco Mundial “Doing Business 2014”. Não é surpresa que o País tenha ficado apenas na 123.ª colocação entre 189 nações em um ranking mundial de melhores ambientes de negócios.
A situação é ainda pior na educação. Na edição de 2012 do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), a performance do Brasil foi pobre. Em ciências, seus estudantes ficaram em 59.º lugar no ranking de 65 países; em matemática, ficaram na 58.ª posição e em leitura, na 55.ª.
Em vez de olhar para esses números com ceticismo, vimos neles a oportunidade de causar um enorme impacto social no Brasil. Fundada em 2011, a Geekie teve uma evolução impressionante.  Já demos a mais de 3 milhões de estudantes a oportunidade de usar nossa plataforma de ensino adaptativo a custo zero, graças ao apoio financeiro de ONGs e patrocinadores corporativos.
Exemplos como o de Manoel Lima, morador do Nordeste, a região mais pobre do País, nos mostram que estamos no caminho certo. Após fazer uso intensivo da plataforma, Manoel entrou em uma universidade pública para estudar Biomedicina. Chegar à universidade foi algo que nem os pais de Manoel nem seus mais de 50 primos jamais conseguiram.
A Geekie também aprendeu bastante sobre como fazer negócios no Brasil e se tornou bastante ativa na cena local de empreendedorismo social. O País tem apenas cerca de 1,100 empresas com esse perfil, mas o interesse pela área tem crescido consistentemente.
A visibilidade que conseguimos tanto na arena do empreendedorismo social quanto na da educação nos levou a conceber um projeto mais amplo. Queremos inspirar um movimento social com o objetivo de garantir educação de qualidade para todos.
Algum progresso foi feito nessa direção em anos recentes. ONGs firmaram um pacto com o governo federal que incluiu metas a ser atingidas nesta e na próxima década. Em muitos casos as metas estão longe de ser alcançadas, mas o Brasil tem um histórico de boas experiências de colaboração entre governo, iniciativa privada e ONGs.
Achamos que é hora de selecionar os projetos que realmente funcionaram nessas parcerias e desenhar um pacote claro de soluções que o poder público pode adotar, com a supervisão de parceiros privados e a expertise de organizações internacionais. A tecnologia que pode nos permitir superar décadas de baixo investimento tem um papel central nesse pacote. Por último, além de adotar soluções inovadoras, os governos federal e estadual devem assumir o compromisso de melhorar o salário dos professores.
Também queremos trazer a sociedade para essa arena, adotando uma postura mais firme em defesa da educação de qualidade para todos. Nessa mobilização um ativo precioso é o entusiasmo dos jovens  — nosso público. Como a Geekie, eles acham que não há mais tempo a desperdiçar, porque gerações estão sendo perdidas. É hora de fazer o que precisa ser feito.
Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo
 




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